@MASTERSTHESIS{ 2026:373765856, title = {Desafios para a universalização do saneamento básico no contexto do novo marco legal e as particularidades do Maranhão}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7067", abstract = "Esta dissertação analisa os desafios à universalização do saneamento básico no Estado do Maranhão diante das transformações introduzidas pela Lei nº 14.026/2020, que instituiu o Novo Marco Legal do Saneamento Básico. Parte do problema de pesquisa consiste em verificar em que medida as alterações normativas promovidas pela reforma têm contribuído para a ampliação do acesso aos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em um contexto marcado por desigualdades territoriais, limitações institucionais e baixa capacidade estatal. Sustenta-se a hipótese de que, embora o novo marco tenha fortalecido os instrumentos regulatórios, estimulado a regionalização da prestação dos serviços e ampliado mecanismos de atração de investimentos, sua efetividade permanece condicionada por fatores estruturais que restringem a concretização da universalização em estados periféricos como o Maranhão. O estudo fundamenta-se na abordagem do materialismo histórico-dialético, articulada às contribuições da literatura sobre políticas públicas, capacidade estatal, regulação, desigualdades territoriais e direitos humanos à água e ao esgotamento sanitário. Metodologicamente, adota abordagem qualitativa, de natureza analítico-crítica, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica, pesquisa documental e análise de dados secundários provenientes da legislação, de normas regulatórias, de relatórios e documentos institucionais, produções acadêmicas e de bases oficiais de informações do setor. A partir das formulações de Karl Marx e Florestan Fernandes, o déficit de saneamento é compreendido como expressão das contradições estruturais do capitalismo dependente brasileiro e das desigualdades socioespaciais historicamente produzidas. O referencial teórico dialoga, ainda, com autores como Léo Heller e Sonaly Rezende, especialmente no que se refere ao saneamento como direito humano e dimensão estruturante da cidadania social. A análise demonstra que a persistência dos déficits de abastecimento de água e, sobretudo, de esgotamento sanitário no Maranhão decorre da interação entre processos históricos de desenvolvimento desigual, insuficiência de financiamento público, fragilidade da coordenação interfederativa, reduzida capacidade administrativa municipal e limitações na implementação dos instrumentos previstos pelo novo marco regulatório. Evidencia-se que a universalização do saneamento não constitui resultado automático da modernização normativa nem da ampliação da concorrência, exigindo planejamento público, fortalecimento institucional, mecanismos redistributivos, regulação aderente às especificidades territoriais e atuação estatal orientada pela efetivação dos direitos humanos. Conclui-se que os limites observados no Maranhão revelam as tensões entre a racionalidade econômica incorporada à reforma regulatória e a necessidade de assegurar o saneamento como direito social fundamental, contribuindo para o debate sobre políticas públicas, capacidade estatal e governança regulatória em contextos subnacionais marcados por vulnerabilidades estruturais.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS/CCSO}, note = {DEPARTAMENTO DE ECONOMIA/CCSO} }