@MASTERSTHESIS{ 2026:75527713, title = {Entre opressões e atravessamentos: leituras interseccionais nos contos de Lindevania Martins}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7075", abstract = "Esta dissertação analisa as opressões interseccionais que atravessam as personagens femininas nos contos “Teresa decide falar”, “Fim de Expediente” e “Duas irmãs”, da coletânea Teresa decide falar (2022), e no livro de conto único Longe de Mim (2020), da escritora maranhense Lindevania Martins. A investigação ancora-se em uma abordagem decolonial e interseccional, partindo do entendimento de que a matriz colonial de poder, conforme proposta por Aníbal Quijano, segue operando na contemporaneidade por meio da articulação entre raça, gênero, classe e regimes de saber, produzindo hierarquizações que organizam material e simbolicamente a vida social. Nesse horizonte, analisa-se como tais dispositivos de poder incidem sobre os sujeitos femininos, constituindo-as em condições de subalternização, ao mesmo tempo em que se interrogam as fissuras, deslocamentos e rearticulações que emergem no interior dessas próprias estruturas. A pesquisa orienta-se pela seguinte questão: como as personagens femininas, inscritas nos contos “Teresa decide falar”, “Fim de Expediente”, “Duas irmãs” e em Longe de Mim, elaboram estratégias de resistência e reexistência diante da lógica moderno-colonial que articula e naturaliza desigualdades de gênero, raça e classe? Para responder a essa problemática, o estudo propõe: (i) desvelar os mecanismos de produção e reprodução das opressões interseccionais que atravessam o cotidiano das personagens; (ii) analisar as formas de resistência que se constituem como práticas situadas de enfrentamento às violências estruturais; e (iii) delinear um perfil decolonial das personagens a partir de seus processos de reexistência, compreendidos não apenas como reação, mas como produção de outras possibilidades de existência e de enunciação. Metodologicamente, esta pesquisa é de natureza básica e adota uma abordagem qualitativa, fundamentando-se em procedimentos bibliográficos e em uma perspectiva exploratório-interpretativa, embasada na análise literária orientada pelas perspectivas decolonial e interseccional. Mobilizam-se, para tanto, os aportes teóricos de Aníbal Quijano (2005, 2007, 2009), María Lugones (2008, 2014, 2020), Walter Mignolo (2007, 2017, 2021) e Nelson Maldonado-Torres (2007, 2016), no que se refere à compreensão das múltiplas colonialidades (do poder, do saber e do ser), articulados às contribuições de Lélia Gonzalez (2018, 2019, 2020), Heleieth Saffioti (1987, 2002) e Rita Segato (2003, 2016, 2018), bem como de Carla Akotirene (2022) e Grada Kilomba (2019), que permitem complexificar as relações entre gênero, raça e violência no contexto latino-americano. A partir desse aparato teórico, evidencia-se como a ficção literária opera como espaço crítico de desestabilização da norma colonial, ao tensionar a naturalização da subalternidade e reinscrever as personagens sujeitas como lócus de enunciação, memória e agência. As personagens femininas emergem, assim, de territórios histórica e epistemicamente marginalizados pelo sistema moderno-colonial para reivindicar suas subjetividades e produzir narrativas que desorganizam os regimes de silenciamento que as constituem. Nesse movimento, as experiências de dor, medo e violência — longe de serem apenas marcas de sujeição — são reconfiguradas como matéria de elaboração crítica e de insurgência. Desse modo, o sistema que as desumaniza é simbolicamente deslocado, não apenas como gesto individual, mas como operação que incide sobre o tecido social, abrindo brechas para outras formas de existência, pertencimento e produção de sentido.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - Campus Bacabal}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS/CCH} }