@MASTERSTHESIS{ 2026:296095912, title = {Caminhos do Sexílio: cartografando experiências de pessoas LGBT+ em contexto de deslocamento compulsório}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7087", abstract = "Esta pesquisa buscou cartografar a experiência do sexílio na vida de pessoas LGBT+ deslocadas compulsoriamente de seus territórios de origem em razão de ambientes familiares e sociais hostis. A categoria sexílio, cunhada por Manuel Guzmán em 1997, foi compreendida como deslocamento compulsório que decorre da impossibilidade de permanência produzida pela estrutura heterocisnormativa, o que constitui uma forma de vulnerabilização ainda não reconhecida pelas políticas públicas brasileiras. O arcabouço teórico-metodológico ancorou-se na filosofia deleuzo-guattariana, tomando a cartografia como método de pesquisa-intervenção, em articulação com a psicanálise e com a noção de precariedade de Judith Butler. A perspectiva decolonial orientou a posição epistemológica da pesquisa, e o diálogo com as teorias queer fundamentou a discussão conceitual sobre o sexílio. Para pensar a relação entre o fenômeno e o aparato estatal, articulou-se o conceito de necrobiopoder com o modelo de fluxos múltiplos de John Kingdon (1995), com o propósito de compreender por que o sexílio permanece fora da agenda governamental brasileira. O material empírico foi composto por nove entrevistas semiestruturadas realizadas entre setembro e outubro de 2025 com pessoas LGBT+ que vivenciaram deslocamentos compulsórios. A análise das narrativas evidenciou que o sexílio se organiza em movimentos coexistentes de estranhamento, saída e chegada, atravessados por uma temporalidade não-linear em que a chegada permanece em suspenso. Os resultados demonstraram que a invisibilidade institucional do fenômeno existe de maneira intencional, como tecnologia de desumanização, mantendo vidas LGBT+ deslocadas em condição precária permanente, sem vocabulário estatístico ou conceitual que as torne apreensíveis para o aparato estatal. Conclui-se que o reconhecimento do sexílio como categoria nas políticas públicas brasileiras se faz condição necessária para que vidas sistematicamente desprotegidas deixem de ser invisíveis ao Estado.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS/CCSO}, note = {DEPARTAMENTO DE SERVIÇO SOCIAL/CCSO} }