@MASTERSTHESIS{ 2026:1730685423, title = {“Uma gente que fica agarrada na terra”: Território quilombola e corpos subalternizados em A Claridade da Gente de Paulo Rodrigues}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7094", abstract = "Esta dissertação propõe uma leitura crítica da obra A Claridade da Gente (2023), do poeta maranhense Paulo Rodrigues, à luz da teoria decolonial, compreendendo a literatura como espaço de disputa simbólica, política e epistemológica. O estudo nasce de um gesto intelectual, ético e político atravessado por uma experiência situada, marcada pela vivência no campo e pelo contato direto com o trabalho rural, o que orienta um olhar implicado sobre as dinâmicas de exploração, silenciamento e resistência/reexistência que estruturam a vida na zona rural brasileira, afastando-se de perspectivas neutras ou distanciadas. Parte-se da questão de como a poesia contra-hegemônica de Paulo Rodrigues problematiza os processos de territorialidade, desterritorialização e reterritorialização quilombola, bem como as dinâmicas de poder que historicamente exploram sujeitos subalternizados. Para responder ao questionamento, o objetivo geral consiste em compreender como o poeta articula literatura e sociedade diante da persistência das estruturas coloniais na realidade quilombola. Como objetivos específicos, busca-se: analisar a representação da territorialidade quilombola e os efeitos da desterritorialização, com ênfase na comunidade Quilombo Onça, em Santa Inês–MA; discutir a precarização do trabalho no campo e a exploração dos corpos dos trabalhadores rurais; e examinar o trabalho feminino e infantil na poesia de Paulo Rodrigues, evidenciando os mecanismos de invisibilização e violência que sustentam a lógica do sistema capitalista. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza interpretativa, exploratória e descritiva, que articula análise textual da obra, investigação bibliográfica, pesquisa de campo na comunidade Quilombo Onça e entrevista semiestruturada com o autor. O referencial teórico dialoga com a crítica literária brasileira, especialmente Antonio Candido (2006) e Alfredo Bosi (2002); com a teoria decolonial de Aníbal Quijano (2005) e Walter Mignolo (2022); com intelectuais quilombolas e antirracistas como Abdias Nascimento (1980), Lélia Gonzalez (2020) e Antonio Bispo dos Santos (2015); com os estudos sobre território de Rogério Haesbaert (2004); e com as contribuições feministas de Heleieth Saffioti (1987; 2004) e Rita Laura Segato (2016), fundamentais para a compreensão da exploração do corpo feminino, da divisão sexual do trabalho e da persistência do patriarcado no espaço agrário. Conclui-se que A Claridade da Gente constrói um projeto poético-político no qual o território quilombola é reafirmado como espaço de pertencimento, memória e luta, ao mesmo tempo em que denuncia a precarização do trabalho rural, a exploração do trabalho feminino e a naturalização do trabalho infantil, afirmando a literatura como prática crítica comprometida com justiça social, memória e direito à permanência.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS - Campus Bacabal}, note = {DEPARTAMENTO DE LETRAS/CCH} }