@PHDTHESIS{ 2026:1381813379, title = {Encruzilhadas do jazz diaspórico no atlântico equatorial: Conexões atlânticas, agenciamentos negros e dissonâncias racializadas no Maranhão (1920-1950)}, year = {2026}, url = "https://tedebc.ufma.br/jspui/handle/tede/7243", abstract = "Nesta tese, investigo os modos pelos quais ocorreu o processo de experienciação do jazz diaspórico no Maranhão, com foco nas possíveis implicações desse fenômeno sobre as existências de seus principais praticantes racializados. O ponto de partida é a cidade de São Luís, capital do estado, a partir da década 1920, contexto de disseminação global do jazz. A análise possui duas dimensões complementares: oferece aportes gerais acerca dos primórdios do jazz no Maranhão, bem como subsídios para compreensão das existências e lutas dos principais jazzbandistas negros atuantes entre 1920 e 1950. Metodologicamente, utilizo recursos do Paradigma Indiciário para mobilizar fontes diversas – periódicos, inventários, fotografias, biografias, relatos orais e escritos –, explorando ferramentas da microhistória. Assim, busquei minúcias indicativas do cotidiano musical e da dimensão cultural do período. Ainda, procurei contribuir com os Novos Estudos do Jazz, ao articular procedimentos das Histórias Conectadas e aportes da sociologia histórica e da história social da cultura. Isto permitiu examinar as fontes em diferentes escalas, para compreender os processos de difusão, apropriação e recodificação do jazz em São Luís. Com isso, logrei destacar como as dinâmicas dos envolvidos com o jazz se emaranharam. Elas produziram caminhos e fluxos em situações claras de racialização, distinção, regionalização e outras dissonâncias. Dessarte, pude ilustrar São Luís como espaço privilegiado de interfaces entre personagens cotejados nos arquivos, a fim de analisá-los nos seus caminhos de circulação atlântica. Elaboro, assim, mapas de estratégias desses sujeitos na conformação de seus circuitos musicais, regados pela produção de hierarquias racializadas. Nessa direção, trabalhei com atores sociais esquecidos pela historiografia e pela memória, compreendendo suas vidas por meio de fenômenos globais e tramas interconectadas. As discussões acabam contribuindo também com elaborações sobre modos de existir no pós-abolição, no Maranhão e além. Procuro demonstrar em que termos o jazz maranhense pertenceu a circuitos afrodiaspóricos de diversas envergaduras. Também enveredei para a observação dos modos pelos quais esses músicos ajudaram a configurar situações e espaços de agenciamentos negros. Tomados como trabalhadores, constatei os sentidos por eles conferidos às negociações para a produção de zonas de pertencimento social, em quais termos disputaram reconhecimento e elaboraram formas de inserção na chamada modernidade, em cenários violentos, de exclusão e desigualdade. Argumento que, mais do que mera expressão de modos de ser e agir “importados”, o jazz foi orquestrado por essas pessoas, constituindo um campo de disputas político. Como sujeitos negros, se apropriaram da modernidade, buscando reconhecimento e dignidade, sendo inseridos, tensionados e marginalizados em sua luta por uma Nova Abolição no Maranhão.", publisher = {Universidade Federal do Maranhão}, scholl = {PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA/CCH}, note = {DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA/CCH} }